Google Postmaster Tools: como ler o que o Gmail pensa de você
O painel gratuito que mostra sua taxa de spam e conformidade no Gmail, o que mudou na versão 2 e como agir a partir de cada indicador.
Se os seus emails estão caindo no spam, a causa é quase sempre esta: o domínio não prova que a mensagem é sua. SPF, DKIM e DMARC são os três registros que fazem essa prova. Este guia explica o que cada um faz, como publicar e quais são os erros que mais quebram operação na prática.
Desde 2024, Google e Yahoo exigem os três protocolos de quem envia a partir de 5.000 mensagens por dia. Em 2026 a exigência se consolidou como padrão de mercado e se estendeu, na prática, a praticamente todo remetente comercial. Domínio sem autenticação correta tem a mensagem filtrada ou rejeitada.
O protocolo de email foi criado nos anos 1980, numa rede em que todo mundo confiava em todo mundo. Ele não tem nenhuma verificação nativa de identidade: qualquer servidor pode enviar uma mensagem dizendo que vem do seu domínio, e nada no protocolo original impede isso.
SPF, DKIM e DMARC foram criados depois, como camadas sobre esse alicerce frágil. Juntos, eles respondem três perguntas que o servidor do destinatário faz antes de decidir o que fazer com a mensagem:
Ter só um dos três não basta. É a combinação que produz o efeito.
O SPF (Sender Policy Framework) é uma lista pública, publicada no DNS, dos servidores autorizados a enviar email usando o seu domínio. Quando uma mensagem chega, o servidor de destino consulta essa lista e compara com o IP de quem entregou.
O registro é um TXT na raiz do domínio:
Tipo: TXT
Nome: @
Valor: v=spf1 include:_envio.seudominio.com.br ~all
Lendo em português: "versão 1 do SPF; considere autorizados os servidores listados no SPF de _envio.seudominio.com.br; qualquer outro deve ser tratado como suspeito".
| Terminação | Significado | Quando usar |
|---|---|---|
-all | Rejeite tudo que não estiver na lista | Quando você tem certeza de que mapeou todos os remetentes |
~all | Marque como suspeito, mas entregue | Durante a implantação, para não bloquear nada legítimo |
?all | Neutro — não faz nada | Praticamente nunca; equivale a não ter SPF |
O caminho seguro é começar em ~all, acompanhar os relatórios do DMARC por algumas semanas e só então fechar em -all.
O SPF permite no máximo 10 consultas de DNS ao ser avaliado. Cada include: conta — e cada um pode carregar outros dentro dele. Empresas que acumularam ferramentas ao longo dos anos (plataforma de email + CRM + ERP + suporte + faturamento) estouram esse limite sem perceber, e aí o SPF inteiro falha, mesmo estando "publicado". É a falha silenciosa mais comum que encontramos em auditoria.
Um único registro SPF por domínio. Se você tiver dois, ambos são invalidados — junte tudo em um só, separado por espaço.
O DKIM (DomainKeys Identified Mail) resolve um problema que o SPF não resolve: garantir que o conteúdo não foi alterado no caminho e que quem assinou controla o domínio de fato.
Funciona com um par de chaves. A privada fica no servidor de envio e assina cada mensagem; a pública fica publicada no seu DNS, para qualquer servidor conferir a assinatura.
Tipo: TXT
Nome: selecionador._domainkey
Valor: v=DKIM1; k=rsa; p=MIIBIjANBgkqhkiG9w0BAQEFAAOCAQ8A...
O trecho selecionador é definido por quem gera a chave — permite ter vários pares de chaves ativos ao mesmo tempo, um por ferramenta de envio.
O DMARC (Domain-based Message Authentication, Reporting and Conformance) faz duas coisas: define o que o destinatário deve fazer quando SPF e DKIM falham, e devolve relatórios sobre quem está enviando em nome do seu domínio.
Tipo: TXT
Nome: _dmarc
Valor: v=DMARC1; p=none; rua=mailto:dmarc@seudominio.com.br; pct=100; adkim=r; aspf=r
| Tag | O que faz |
|---|---|
p= | Política: none (só monitora), quarantine (manda para spam) ou reject (rejeita) |
rua= | Endereço que recebe os relatórios agregados diários |
pct= | Percentual de mensagens ao qual a política se aplica — útil para subir gradualmente |
adkim= / aspf= | Rigor do alinhamento: r (relaxado, aceita subdomínio) ou s (estrito) |
Não basta o SPF passar. O domínio que aparece no campo "De:" que o destinatário lê precisa bater com o domínio verificado pelo SPF ou pelo DKIM. Se o cliente vê contato@sualoja.com.br mas o SPF valida bounce.plataforma-x.com, o SPF passa e o DMARC falha assim mesmo.
É por isso que existem contas com os três registros publicados e ainda assim com problema de entrega. Está tudo lá, mas nada está alinhado.
p=none. Só monitore. Leia os relatórios e descubra todos os sistemas que enviam pelo seu domínio (sempre aparece um esquecido).p=quarantine; pct=25. Aplique a um quarto do tráfego e observe. Suba para 50%, depois 100%, se nada legítimo cair.p=reject. O destino final. Só chegue aqui quando os relatórios estiverem limpos por pelo menos duas semanas seguidas.Ir direto para p=reject é o caminho mais rápido para descobrir, do jeito ruim, que o sistema de nota fiscal também enviava pelo seu domínio. Aí para tudo.
Auditamos os três registros, corrigimos o alinhamento e conduzimos a subida da política até p=reject — sem que nenhum email legítimo pare de sair.
Depois de publicar, confira cada item. Alterações de DNS costumam propagar em minutos, mas podem levar até 48 horas.
rua= é uma caixa que alguém realmente lêList-Unsubscribe de um cliquePara conferir, use o mxtoolbox.com/domain, o Google Postmaster Tools ou simplesmente envie um email para uma conta Gmail e abra "Exibir original" — as três linhas SPF, DKIM e DMARC devem estar como PASS.
Autenticar é o pré-requisito, não a garantia. Com os três registros corretos, o provedor passa a confiar que a mensagem é sua — e então avalia se ela merece a caixa de entrada, com base em engajamento, reclamações e qualidade da lista.
Ou seja: DNS resolvido, o trabalho passa a ser de reputação. É sobre isso que tratamos em entregabilidade de email.
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